sábado, 10 de dezembro de 2011

ENTREVISTA COM FÁTIMA BEZERRA


"Não podemos perder de vista o diálogo com os partidos aliados"


Mesmo se dizendo focada na defesa da candidatura do deputado Fernando Mineiro (PT) à Prefeitura do Natal, em 2012, a deputada federal Fátima Bezerra (PT) pondera que o grupo de partidos aliados no âmbito do Governo Federal - e citou entre os quais o PDT e o PSB, dos também pré-candidatos Carlos Eduardo e Wilma de Faria - não deve perder de vista a união para derrotar a atual administração natalense e o bloco que ela diz ser capitaneado pelo Governo do DEM. A parlamentar ressalta "o preço alto que Natal vem pagando" por ter escolhido a atual prefeita Micarla de Sousa (PV) como gestora da cidade, e afirma que é responsabilidade das legendas parceiras de Dilma Rousseff (PT) apresentarem nomes qualificados para "sanarem o caos". Nesta entrevista, ela fala da atuação no Congresso Nacional, da defesa de uma reforma política urgente e não descarta uma possível candidatura ao Senado, em 2014. Veja a seguir: 

Qual o resultado prático no âmbito da Comissão de Educação e Cultura, da qual a senhora presidiu em 2011?

Eu diria que positivo. A comissão teve uma boa produção legislativa esse ano. Eu destacaria a questão do debate e aprovação do Pronatec [programa prevê o aumento da oferta de cursos profissionalizantes e de qualificação profissional], em tempo recorde, e com essa iniciativa transformamos em política de Estado um dos projetos mais vitoriosos do governo do presidente Lula, que é a expansão das escolas técnicas. Só aqui no nosso Estado tínhamos duas e hoje já são 18. Com o Pronatec vamos oferecer nos próximos quatro anos oito milhões de vagas na educação profissional. O outro projeto que eu destacaria é o do Plano Nacional de Educação. Nós participamos intensamente desse projeto que está às vésperas de ser votado e nós estamos fazendo um esforço grande para que agora, com o encerramento dos trabalhos legislativos, a gente possa votar. Esse é um projeto estratégico para a Educação porque simplesmente vai decidir o destino da educação brasileira nos próximos dez anos. É um projeto que fala desde a questão da universalização, da gestão democrática, da formação da carreira e do salário do professor e fala também da questão do financiamento. Eu quero destacar aqui um ponto muito importante porque foi incorporada nessa matéria uma emenda que nós havíamos apresentado, que trata da melhoria salarial do professor. Essa emenda vai garantir que nós possamos equiparar o salário do professor ao dos demais profissionais de nível superior. Ou seja: formação equivalente, salário equivalente. Só para se ter uma ideia o MEC fez um estudo que mostra que os professores ganham em média 60% a menos do que ganham os demais profissionais de nível superior. A média dos salários demais profissionais está em torno de 2.800 reais, quando o do professor é de R$ 1.187.  Quero destacar também no campo da cultura o debate que nós fizemos acerca de um projeto muito importante que é o vale-cultura, que está em vias de ser aprovado. E o debate orçamentário. A Comissão teve um trabalho muito protagonista nessa área. A comissão apresentou um orçamento geral da União em 2012 quatro emendas. Duas para a educação, que foram destinadas para a expansão e fortalecimento do ensino superior das Universidades e a outra para educação profissional. No âmbito da cultura conseguimos aprovar projetos voltados para fortalecer o programa nacional do livro e leitura e a outra para a questão da política dos museus e para fomento a projetos em artes. Eu não posso também deixar de falar da emenda que conseguimos aprovar no PPA [Plano Plurianual] e que é para que o Governo Federal crie um programa de apoio às Universidades Estaduais. E o outro é o da merenda escolar. É inaceitável os professores ficarem excluídos da merenda escolar. 

A eleição municipal já bate na porta dos partidos e nada da reforma política. O que impede?

Eu sempre achei que a reforma mais importante é a política e, depois, a tributária. Essas são as duas reformas que lamentavelmente não andam. Para a reforma política nós fizemos um trabalho esse ano na Câmara e no Senado. O deputado Henrique Fontana (PT-RS) foi o nosso relator, fez um belo trabalho, elogiado por todos, mas na "Hora H" empancou de novo. A proposta de Henrique Fontana traz como eixo central a questão do financiamento público. Para tanto, claro, nós do PT defendemos o voto em lista preordenada aberta porque o eleitor deve votar duas vezes. O partido apresenta aquela lista, com aquela classificação, mas se você não concordar pode alterar. E outra coisa é a questão da fidelidade partidária. Eu lamento profundamente que não ande. O que tem empacado é o conservadorismo e o que está por trás disso são concepções de natureza ideológica mesmo, de natureza política. A maioria dos partidos daquela Casa não deseja e nem quer fazer a reforma política. Eles não querem porque as regras existentes hoje no nosso país favorecem essa composição conservadora da política. Eu estou dizendo isso porque se tem uma sub-representação das mulheres, negros, dos extratos mais pobres da população. Quantos representantes de movimentos como o MST você tem lá dentro? Quantos representantes, por exemplo, dos pequenos agricultores? Por sua vez há uma preponderância da bancada ruralista, dos setores empresariais. A bancada hoje lá dos trabalhadores, aqueles que vieram da luta social e popular, como eu, está diminuindo. Em 2002, quando eu cheguei ao Congresso, a maioria que vinha da luta social, hoje inverteu. Eu não estou aqui desconsiderando a capacidade e atuação das parlamentares, não se trata disso. Estou fazendo uma constatação da origem e do perfil. Isso para dizer para você que é um reflexo existente no Congresso. A bancada ruralista e dos empresários tem um peso grande e por sua vez vem diminuindo a bancada das lutas sociais. Claro que tem que ter todos esses representantes no Congresso, mas o que não pode ter é essa desigualdade. 

Como está a discussão do PT em torno da eleição?

No ano passado, nós focamos na eleição de Dilma Rousseff e em ampliar a bancada no Congresso. Tivemos êxito. Agora em 2012 o foco é o PT e aí nós estamos ocupando espaços e nos preparando para apresentarmos o maior número de candidados, seja aos cargos majoritários ou aos legislativos. Nosso objetivo em 2012 é ampliar o número de prefeitos que temos no país afora.

O PT local já fechou questão em torno da candidatura de Mineiro a prefeito de Natal?

A eleição não é só em Natal, mas também na Grande Natal, Mossoró, demais cidades do interior e eu tenho andado muito em todo o Estado porque vou participar intensamente nas eleições de 2012 fortalecendo as campanhas dos companheiros e companheiras do PT. Então a orientação que nós temos no plano nacional é construir alianças no arco dos partidos que dão sustentação ao Governo Dilma, tanto é que aqui no RN nós vamos ter alianças com todas essas legendas. No que diz respeito a Natal, o partido está unido em torno de Mineiro, que está muito motivado e é um excelente nome. Nós temos um calendário e de acordo com a norma estatutária podemos confirmar a candidatura própria até março do ano que vem. O partido está unido em torno do nome de Mineiro, agora eu particularmente também tenho ressaltado que nós não podemos perder de vista de maneira nenhuma o diálogo com os partidos aliados. É o PDT, o PSB, o PC do B e outras legendas da base que estamos conversando, como o PSD. O fato é que eu acho que esse grupo que faz oposição ao DEM tem tudo para ganhar as eleições em Natal em 2012.

A senhora defende uma candidatura única desse grupo já no primeiro turno?

Eu acho que a gente deve adotar o caminho que seja mais adequado para nos levar à vitória em 2012. Natal está pagando um preço altíssimo pelo erro cometido em 2008, não é porque eu era a outra candidata, não se trata disso. Mas é visível o preço que Natal está pagando. Nós temos obrigação, as lideranças políticas, de tirar Natal da situação em que ela se encontra. Então esse momento é hora de ocuparmos os espaços. O PSB tem o nome da ex-governadora Wilma, o PDT o do ex-prefeito Carlos Eduardo e nós temos o nome de Mineiro. O partido está organizando seu exército e ocupando os espaços. Eu não tenho nenhuma dúvida de que vai chegar o momento da unidade desse grupo. E mesmo esse bloco estando em uma situação favorável, liderando as pesquisas, mas é bom botar os pés no chão. Nós não podemos subestimar o Governo. É um aparato e uma capacidade de financiamento que esse grupo pode aglutinar. Mas eu estou confiante porque o sentimento que eu vejo nas ruas é de um perfil popular e progressista para 2012. E nós do PT estamos apresentando o nome do deputado Fernando Mineiro.

Em nome da viabilidade desse grupo de perfil progressista que a senhora fala, o PT admite abrir mão de encabeçar a chapa?

O que está posto hoje é a candidatura própria. O partido já deliberou o que diz respeito à candidatura própria. O partido está unido. Se o partido vai ampliar ou não essa discussão aí não tem como dizer.

O PT chegou a ser cobrado pelo PDT por um gesto de reciprocidade. O que a senhor diz disso?

O ex-prefeito Carlos Eduardo tem sido um parceiro muito importante, pertence a um partido que é historicamente aliado do PT e do nosso projeto nacional, ou seja, tem muitas semelhanças do ponto de vista programático e ideológico conosco. É fato que o ex-prefeito teve um papel muito importante na disputa político-eleitoral de 2008, na defesa de que o PT indicasse o candidato a prefeito, nós reconhecemos isso. Eu particularmente acho que ele foi um excelente gestor, é um político de perfil progressista, agora é preciso entender que com todo o respeito pelo nome e pela candidatura dele, mas o meu partido tem um candidato e é o deputado Fernando Mineiro. Como a eleição é em dois turnos vamos trabalhar. Até porque nós não podemos deixar de dizer também da  ex-prefeita Wilma, que também é nossa aliada e nos acolheu também. Eu respeito todas essas candidaturas, que são muito fortes, mas o PT tem candidato. Eu tenho certeza que as lideranças políticas desse bloco terão a maturidade, responsabilidade e sensatez para, mesmo cada partido tendo seus projetos, não perder de vista a unidade que precisa ser construída para nós ganharmos as eleições de Natal com uma proposta que tire Natal do caos em que ela vive hoje.

A senhora pensa em alçar voos mais altos como o Senado?

Ainda está cedo para falar sobre isso, vamos deixar depois. Eu não descarto, mas não está no nosso horizonte agora de maneira nenhuma. E além disso, como é uma candidatura para cargo majoritário, passa por uma discussão nacional. O PT quer crescer em 2012 para continuar administrando o Brasil e também fazer o maior número de deputados federais, senadores e ganhar os governos estaduais. Mas o fato é que está muito cedo.

FONTE:TRIBUNA DO NORTE

ISTO É A NOSSA JUSTIÇA

STF condena, mas deputados não são presos

Três parlamentares aguardam recurso em liberdade e um ainda pode recorrer da pena



BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF) não consegue superar uma estatística incômoda. Apesar de já ter condenado cinco deputados desde o ano passado - um deles o crime prescreveu -, até agora nenhum parlamentar acusado da prática de crime foi preso ou começou a cumprir pena por ordem do Supremo. O deputado Natan Donadon (PMDB-RO) e os ex-deputados José Tatico (PTB-GO) e Zé Gerardo (PMDB-CE) recorreram das condenações. Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) ainda espera a publicação do acórdão para decidir de vai recorrer. Somente depois do julgamento dos recursos, as penas começarão a ser cumpridas.
O ex-deputado Cássio Taniguchi (DEM-PR) também foi condenado, mas o STF considerou que o crime estava prescrito. O caso mais atrasado é o do primeiro parlamentar condenado desde que o deputado Chico Pinto foi sentenciado a seis meses de detenção, em 1974, acusado de violar a Lei de Segurança Nacional durante o governo militar. Zé Gerardo foi condenado em maio de 2010 por crime de responsabilidade a pagar 50 salários mínimos a uma instituição social ou cumprir pena de dois anos e dois meses de detenção. Ele recorreu, mas o ministro Celso de Mello ainda não liberou o processo para ser julgado. Na semana passada, o Supremo começou a julgar o recurso de José Tatico. Mas, além de não concluírem o julgamento, os ministros ainda podem anular a pena de sete anos de prisão em regime semiaberto por sonegação e apropriação indébita de contribuição previdenciária. Depois de condenado pelo STF, Tatico recorreu pedindo a anulação da pena por ter quitado os mais de R$ 750 mil que deixou de recolher aos cofres da Previdência Social entre janeiro de 1995 a agosto de 2002. O relator do processo, ministro Carlos Ayres Britto, votou por rejeitar o recurso de Tatico e ordenava, com isso, sua prisão imediata. Entretanto, o pedido de vista do ministro Luiz Fux interrompeu o julgamento, que deve ser retomado apenas em 2012.

NOTA DO BLOG: VOLTAMOS A ENFATIZAR QUE AS LEIS SÃO PREPARADAS EXATAMENTE NA MEDIDA CORRETA PARA BENEFICIAR OS "GRANDES" DO BRASIL. A LENTIDÃO JUDICIÁRIA ATRELADA ÀS LEIS CAPENGAS DÃO UM RESULTADO PREVISÍVEL E INEQUÍVOCO DE IMPUNIDADE. ISSO SÓ MUDA SE VOCÊ MUDAR.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

SEMPRE ESCAPA ALGUÉM NAQUELE NINHO SUJO


Governador tucano de Minas Gerais apoia o ministro do Desenvolvimento

Em meio às denúncias de irregularidades e suspeitas sobre sua empresa de consultoria, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, recebeu apoio explícito do governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), hoje, no Rio de Janeiro. "Pelas informações que tenho, mantenho muita confiança no ministro Pimentel, que, além de tudo, é mineiro e um amigo", disse Anastasia, logo após concluir uma palestra sobre a internacionalização do Estado de Minas Gerais, em evento realizado na Associação Comercial do Rio. "Mas essa questão de ministro de Estado, a competência é exclusiva da presidente da República". O ministro e o governador são aliados na política local de Minas Gerais. A ala comandada por Pimentel no PT mineiro costurou junto ao PSDB de Anastasia e do senador Aécio Neves a aliança que elegeu, em 2008, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB). O acordo frustrou a ala petista que pretendia lançar a candidatura do então ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e rachou de vez o diretório local do partido. "Os governadores decidiram em Maceió, no ano passado, que as questões políticas de oposição sejam feitas pelo parlamento, e não pelos governadores", disse Anastasia, deixando claro que não se sentia confortável em falar sobre as denúncias envolvendo o ministro aliado. Questionado se acreditava que as denúncias contra Pimentel poderiam atrapalhar a campanha de reeleição de Lacerda ou mesmo a reedição da aliança entre o PSDB e o PT locais, Anastasia foi monossilábico: "Não". Otílio Prado, sócio de Pimentel na P-21 Consultoria e Projetos Ltda em 2009 e 2010, era assessor especial de Lacerda na prefeitura até ontem. A empresa deles faturou R$ 2 milhões nesse período. Entre os clientes da P-21 estão duas empresas que mantiveram contratos com a Prefeitura de Belo Horizonte no período em que Otílio era assessor especial.

SUCESSO DO PT, SUCESSO DO BRASIL


Economista alemão diz que Brasil é o modelo a ser seguido pela Europa


Por essa os pessimistas, os eternamente do contra, os oposicionistas histéricos daqui e dali não esperavam.


Num instante em que a União Europeia tenta pôr em pé um novo tratado para tonificar o euro, um economista alemão enxerga no Brasil um modelo a ser seguido. Chama-se Mark Hallerberg. É professor da Hertie School of Governance, em Berlim. Já atuou como consultor do Banco Central Europeu.  Para ele, os países da zona do euro deveriam adotar um sistema assemelhado à Lei de Responsabilidade Fiscal, editada sob FHC e preservada por Lula e Dilma Rousseff. A repórter Deborah Berlinck entrevistou Mark Hallerberg. A íntegra da conversa está disponível aqui. Vai abaixo o pedaço em que o entrevistado menciona o Brasil:

- O senhor diz que o Brasil é um modelo para a UE, por quê? O Brasil enfrentou problemas similares no final dos anos 90: uma crise bancária, Estados que gastaram e eram cobertos por Brasília. A solução foi a Lei da Responsabilidade Fiscal. Para o governo não ter que cobrir os déficits dos Estados, teve-se que criar regras restritivas e rigorosas no nível estadual. Vejo isso como um modelo. No Brasil, o governo federal tem poder para segurar dinheiro dos estados se eles não cumprirem as regras. Na Europa, pode-se fazer isso até um certo ponto. Meu argumento é que temos duas escolhas: um modelo americano (onde tudo é o mercado) ou o brasileiro. Hoje, estamos presos no meio termo. Isso é ruim.

- A Europa, então, precisa de uma Lei da Responsabilidade Fiscal, como no Brasil? Sim.

- Teria que ser adaptado a uma realidade europeia, não? Tem sempre que adaptar a uma realidade europeia. Mas é um modelo melhor do que o que temos hoje. O Brasil já foi o pior exemplo de federalismo fiscal. Hoje é o melhor. O Brasil está indo maravilhosamente bem. Neste debate, eu sempre digo: olhem para o Brasil.

- Os europeus que gastarem mais do que o previsto, deverão ter, então, transferência de fundos de Bruxelas cortadas, é isso? Sim, e devem ter também um sistema de monitoramento como no Brasil. Algo que não sei se a UE vai fazer… Uma das coisas boas do que o Brasil fez foi fechar bancos (estaduais). A Europa não fechou um único. Acho que um dos problemas (da UE) é o setor bancário. Se vamos insistir em reforma, então, alguns têm (que fechar). Mas é difícil para países fazerem isso. Acho que seria preciso uma agência europeia para decidir.

UM SÓ É MUITO POUCO

Procurador do MS pede a construção de presídio para corruptos

Iniciativa seria, segundo ele, uma resposta do Judiciário às mobilizações sociais realizadas em todo o Brasil



O procurador da República de Mato Grosso do Sul, Ramiro Rockenbach, quer que a União construa um presídio federal para corruptos. O pedido foi proposto esta semana em uma ação civil pública ajuizada na Justiça Federal daquele Estado. O presídio seria, segundo ele, uma resposta concreta do Poder Judiciário às mobilizações sociais realizadas em todo o Brasil. Dados apontam que a União deixou de aplicar no sistema penitenciário mais de R$ 1,8 bilhão. A medida marca a semana em que é celebrado o Dia Internacional de Combate à Corrupção, comemorado nesta sexta-feira, 9 de dezembro.  Segundo levantamento da organização Tranparency International, em 2011 o Brasil ocupa o 73º lugar entre as mais de 180 nações do mundo.  Segundo o procurador, a Polícia Federal prende, o MPF denuncia e a Justiça Federal condena, mas a União não dispõe de um local para colocar os condenados por crimes federais.  Dados do sistema penitenciário apontam que existem atualmente 1.400 condenados por corrupção, mas ninguém não sabe onde eles estão. “Estão presos?”, questiona. Rockenbach argumetna que o presídio de corruptos daria mais transparência e serviria como termômetro para medir o desfecho dessas ações. “As autoridades precisam refletir sobre seu próprio papel e a sociedade precisa saber quem não está fazendo sua parte”, afirmou. De acordo com o procurador, com o presídio, “os corruptos, no Brasil, passarão a ter endereço certo sempre que a Justiça entender que é caso de prisão”.  Ainda segundo ele, isso possibilitaria um maior controle social baseado em estatísticas. “Se em vez de superlotação carcerária, como a maioria dos presídios brasileiros, o da corrupção estiver vazio, é sinal que todas as autoridades que atuam contra os desvios de dinheiro público precisam sentar, conversar e rever conceitos.” Rockenbach observa que é preciso compreender que o presídio federal para corruptos não é uma prisão especial para garantir mordomias. “Ao contrário, é um lugar específico em defesa da moralidade, da honestidade e da ética com a coisa pública”. Ele observa que se eles são os responsáveis por desvio de recursos públicos que iriam para a educação e saúde, por exemplo, e eles (os corruptos) não estão nem aí, não podem ser pessoas normais. Por isso, o presídio federal para corruptos contaria com uma equipe multidisciplinar para estudar a “mente dessas pessoas”. A ação, segundo ele, almeja dar mais transparência à punição contra os corruptos e não apenas puni-los, “mas estudá-los, compreendê-los, reeducá-los para, talvez, mudar o curso dessa história que preocupa a todos”.  A diferença entre a carceragem federal para presos de alta periculosidade e a para corruptos não será apenas estrutural, pois nesse aspecto os corruptos devem cumprir pena como os demais presos, sem quaisquer regalias ou privilégios. E os parâmetros deverão ser estabelecidos pelo órgão competente, o Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN). Um presídio federal para corruptos é uma garantia a mais para a sociedade. Não se está, portanto, pulando uma etapa no processo de punição. Ao contrário, o objetivo é assegurar que todo e qualquer corrupto, existindo motivo e decisão judicial para tanto, possa ter um lugar próprio para ser preso e reeducado.

NOTA DO BLOG: NESTE MOMENTO, PERGUNTAMOS A NÓS MESMOS QUEM IRIA E QUEM ESCAPARIA DE UMA PRISÃO DESSAS CASO NOSSO PAÍS FOSSE INTEGRALMENTE SÉRIO. SE TIVÉSSEMOS UMA LEGISLAÇÃO NO ESTILO DA AMERICANA QUANTOS PREFEITOS, VEREADORES, GOVERNADORES, DEPUTADOS E SENADORES, ALÉM DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS EM GERAL SERIAM ENJAULADOS EXEMPLARMENTE. A INICIATIVA É POR DEMAIS PROFÍCUA E MOSTRA A TENDÊNCIA DA SOCIEDADE EM QUERER EXTIRPAR A IMPUNIDADE DO NOSSO CONVÍVIO SOCIAL, ALÉM DE DIMINUIR OS ÍNDICES DE CORRUPÇÃO, HOJE ALARMANTES. TODAVIA, INDEPENDENTE DA NOSSA EVOLUÇÃO ENQUANTO SERES SOCIAIS E POLÍTICOS, TODOS SERÃO DESMASCARADOS POR AQUELE QUE DETÉM TODO O PODER.

O PASSADO NÃO PODE SER ESQUECIDO


Chega às livrarias ‘A Privataria tucana’, de Amaury Ribeiro Jr. CartaCapital relata o que há no livro


Não, não era uma invenção ou uma desculpa esfarrapada. O jornalista Amaury Ribeiro Jr. realmente preparava um livro sobre as falcatruas das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. Neste fim de semana chega às livrarias “A Privataria Tucana”, resultado de 12 anos de trabalho do premiado repórter, que durante a campanha eleitoral do ano passado foi acusado de participar de um grupo cujo objetivo era quebrar o sigilo fiscal e bancário de políticos tucanos. Ribeiro Jr. acabou indiciado pela Polícia Federal e tornou-se involuntariamente personagem da disputa presidencial.
'A Privataria Tucana', de Amaury Ribeiro Jr.
Na edição que chega às bancas nesta sexta-feira 9,CartaCapital traz um relato exclusivo e minucioso do conteúdo do livro de 343 páginas publicado pela Geração Editorial e uma entrevista com autor (reproduzida abaixo). A obra apresenta documentos inéditos de lavagem de dinheiro e pagamento de propina, todos recolhidos em fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado. José Serra é o personagem central dessa história. Amigos e parentes do ex-governador paulista operaram um complexo sistema de maracutaias financeiras que prosperou no auge do processo de privatização.
Ribeiro Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990, todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e um sócio e marido de uma prima, Gregório Marín Preciado. Mas quem brilha mesmo é o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira. Ex-tesoureiro de Serra e FHC, Oliveira, ou Mister Big, é o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da privatização.
O livro traz, por exemplo, documentos nunca antes revelados que provam depósitos de uma empresa de Carlos Jereissati, participante do consórcio que arrematou a Tele Norte Leste, antiga Telemar, hoje OI, na conta de uma companhia de Oliveira nas Ilhas Virgens Britânicas. Também revela que Preciado movimentou 2,5 bilhões de dólares por meio de outra conta do mesmo Oliveira. Segundo o livro, o ex-tesoureiro de Serra tirou ou internou  no Brasil, em seu nome, cerca de 20 milhões de dólares em três anos.
A Decidir.com, sociedade de Verônica Serra e Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, também se valeu do esquema. Outra revelação: a filha do ex-governador acabou indiciada pela Polícia Federal por causa da quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros. Por meio de um contrato da Decidir com o Banco do Brasil, cuja existência foi revelada porCartaCapital em 2010, Verônica teve acesso de forma ilegal a cadastros bancários e fiscais em poder da instituição financeira.
Na entrevista a seguir, Ribeiro Jr. explica como reuniu os documentos para produzir o livro, refaz o caminho das disputas no PSDB e no PT que o colocaram no centro da campanha eleitoral de 2010 e afirma: “Serra sempre teve medo do que seria publicado no livro”.

CartaCapital: Por que você decidiu investigar o processo de privatização no governo Fernando Henrique Cardoso?
Amaury Ribeiro Jr.: Em 2000, quando eu era repórter de O Globo, tomei gosto pelo tema. Antes, minha área da atuação era a de reportagens sobre direitos humanos e crimes da ditadura militar. Mas, no início do século, começaram a estourar os escândalos a envolver Ricardo Sérgio de Oliveira (ex-tesoureiro de campanha do PSDB e ex-diretor do Banco do Brasil). Então, comecei a investigar essa coisa de lavagem de dinheiro. Nunca mais abandonei esse tema. Minha vida profissional passou a ser sinônimo disso.
CC: Quem lhe pediu para investigar o envolvimento de José Serra nesse esquema de lavagem de dinheiro?
ARJ: Quando comecei, não tinha esse foco. Em 2007, depois de ter sido baleado em Brasília, voltei a trabalhar em Belo Horizonte, como repórter do Estado de Minas. Então, me pediram para investigar como Serra estava colocando espiões para bisbilhotar Aécio Neves, que era o governador do estado. Era uma informação que vinha de cima, do governo de Minas. Hoje, sabemos que isso era feito por uma empresa (a Fence, contratada por Serra), conforme eu explico no livro, que traz documentação mostrando que foi usado dinheiro público para isso.
CC: Ficou surpreso com o resultado da investigação?
ARJ: A apuração demonstrou aquilo que todo mundo sempre soube que Serra fazia. Na verdade, são duas coisas que o PSDB sempre fez: investigação dos adversários e esquemas de contrainformação. Isso ficou bem evidenciado em muitas ocasiões, como no caso da Lunus (que derrubou a candidatura de Roseana Sarney, então do PFL, em 2002) e o núcleo de inteligência da Anvisa (montado por Serra no Ministério da Saúde), com os personagens de sempre, Marcelo Itagiba (ex-delegado da PF e ex-deputado federal tucano) à frente. Uma coisa que não está no livro é que esse mesmo pessoal trabalhou na campanha de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, mas sob o comando de um jornalista de Brasília, Mino Pedrosa. Era uma turma que tinha também Dadá (Idalísio dos Santos, araponga da Aeronáutica) e Onézimo Souza (ex-delegado da PF).
CC: O que você foi fazer na campanha de Dilma Rousseff, em 2010?
ARJ: Um amigo, o jornalista Luiz Lanzetta, era o responsável pela assessoria de imprensa da campanha da Dilma. Ele me chamou porque estava preocupado com o vazamento geral de informações na casa onde se discutia a estratégia de campanha do PT, no Lago Sul de Brasília. Parecia claro que o pessoal do PSDB havia colocado gente para roubar informações. Mesmo em reuniões onde só estavam duas ou três pessoas, tudo aparecia na mídia no dia seguinte. Era uma situação totalmente complicada.
CC: Você foi chamado para acabar com os vazamentos?
ARJ: Eu fui chamado para dar uma orientação sobre o que fazer, intermediar um contrato com gente capaz de resolver o problema, o que acabou não acontecendo. Eu busquei ajuda com o Dadá, que me trouxe, em seguida, o ex-delegado Onézimo Souza. Não tinha nada de grampear ou investigar a vida de outros candidatos. Esse “núcleo de inteligência” que até Prêmio Esso deu nunca existiu, é uma mentira deliberada. Houve uma única reunião para se discutir o assunto, no restaurante Fritz (na Asa Sul de Brasília), mas logo depois eu percebi que tinha caído numa armadilha.
CC: Mas o que, exatamente, vocês pensavam em fazer com relação aos vazamentos?
ARJ: Havia dentro do grupo de Serra um agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que tinha se desentendido com Marcelo Itagiba. O nome dele é Luiz Fernando Barcellos, conhecido na comunidade de informações como “agente Jardim”. A gente pensou em usá-lo como infiltrado, dentro do esquema de Serra, para chegar a quem, na campanha de Dilma, estava vazando informações. Mas essa ideia nunca foi posta em prática.
CC: Você é o responsável pela quebra de sigilo de tucanos e da filha de Serra, Verônica, na agência da Receita Federal de Mauá?
ARJ: Aquilo foi uma armação, pagaram para um despachante para me incriminar. Não conheço ninguém em Mauá, nunca estive lá. Aquilo faz parte do conhecido esquema de contrainformação, uma especialidade do PSDB.
CC: E por que o PSDB teria interesse em incriminá-lo?
ARJ: Ficou bem claro durante as eleições passadas que Serra tinha medo de esse meu livro vir à tona. Quando se descobriu o que eu tinha em mãos, uma fonte do PSDB veio me contar que Serra ficou atormentado, começou a tratar mal todo mundo, até jornalistas que o apoiavam. Entrou em pânico. Aí partiram para cima de mim, primeiro com a história de Eduardo Jorge Caldeira (vice-presidente do PSDB), depois, da filha do Serra, o que é uma piada, porque ela já estava incriminada, justamente por crime de quebra de sigilo. Eu acho, inclusive, que Eduardo Jorge estimulou essa coisa porque, no fundo, queria apavorar Serra. Ele nunca perdoou Serra por ter sido colocado de lado na campanha de 2010.
CC: Mas o fato é que José Serra conseguiu que sua matéria não fosse publicada no Estado de Minas.
ARJ: É verdade, a matéria não saiu. Ele ligou para o próprio Aécio para intervir no Estado de Minas e, de quebra, conseguiu um convite para ir à festa de 80 anos do jornal. Nenhuma novidade, porque todo mundo sabe que Serra tem mania de interferir em redações, que é um cara vingativo.

VOCÊ SABIA?


Dia Internacional de Combate à Corrupção é lembrado em todo o país



A Controladoria-Geral da União (CGU) promove hoje (9) em todo o Brasil uma série de eventos para comemorar o Dia Internacional de Combate à Corrupção. Em Brasília, às 10h, no Centro de Convenções Brasil 21, serão lançadas novas iniciativas para a prevenção da corrupção e, em seguida, apresentados os resultados de ações de controle interno no aprimoramento da gestão. Às 10h30, haverá a entrega do prêmio destaque na Luta contra a Corrupção. Logo depois, às 11h, começa a 1ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social - Consocial: Avanços e Perspectivas. As comemorações serão presididas pelo ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, e pelo diretor do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (Unodc), Bo Mathiasen. O evento deve ter  ainda a presenças de vários ministros, do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e do presidente do Tribunal de Contas da União, Benjamin Zimler. Na cerimônia de abertura, marcada para as 9h, Jorge Hage fará um balanço das iniciativas do governo na prevenção e combate à corrupção nos últimos anos. Em seguida, a CGU vai anunciar iniciativas inéditas na área, entre elas novas formas de consultas temáticas no Portal da Transparência e uma cartilha dirigida aos servidores sobre a Lei de Acesso à Informação Pública.

NOTA DO BLOG: QUEM É VERDADEIRAMENTE FILHO DE DEUS E DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO AMA O COMBATE À CORRUPÇÃO. PORTANTO, QUEM É CRISTÃO DE VERDADE ABRACE ESSA CAMPANHA. NÃO FURE FILAS, NÃO FRAUDE CARTEIRAS DE ESTUDANTE, NÃO APOIE CANALHAS NA POLÍTICA, SEJA CONTRA O NEPOTISMO, CONTRA A OBSCURIDADE NO TRATO COM O ERÁRIO, NOS DESVIOS, NO SUPERFATURAMENTO DA MERENDA DAS CRIANÇAS, NAS IRREGULARIDADES DO BOLSA-FAMÍLIA E TANTOS COMPORTAMENTOS IMORAIS. VENHA PARA O LADO DO BEM:

COMBATA A CORRUPÇÃO